sexta-feira, 30 de outubro de 2015

I Just Don't Know What To Do With Myself

       Meus amigos estavam apaixonados. Eu não. Meus amigos me falavam o tempo todo sobre a pessoa por quem estavam apaixonados. Eu não tinha sobre quem falar... E assim os anos iam seguindo, um a um, me fazendo se sentir cada vez mais vazia. Eu também queria ter sobre quem falar, mesmo eu sabendo que das outras vezes não tinha acabado bem.
      Nada mais parecia fazer sentido. Eu cantava as músicas sobre se apaixonar só por gostar delas, mas não por me identificar. O “relacionamento” dos meus amigos começou a dar errado, e então eu, por mais que ainda relutasse em querer se apaixonar, me convenci de que não ter ninguém pra pensar ou pra se importar era o melhor que tinha me acontecido... E era exatamente isso que me diziam “você tem sorte por não gostar de ninguém”.
        Porém, quase que subitamente, eu comecei a me afeiçoar a aquele refrão, e o romance bobinho já não me parecia assim tão bobo. Eu sorria pelos cantos e dançava no meu quarto... Eu estava me apaixonando. Então certos cantores e bandas tocavam cada vez mais nos meus dias, porque eles me faziam lembrar alguém em específico, enquanto outros eram deixados de lado.
         Eu queria esconder, mas era quase impossível segurar aquela vontade de contar como nossa conversa tinha sido como as coisas estavam indo. Meus amigos, que antes eram os que passavam horas detalhando cada acontecimento relacionado ao fulano, passaram a serem os meus “psicólogos”, dizendo o que eles pensavam sobre... Fazendo o que eu costumava fazer. Mas as coisas foram tomando proporções catastróficas e o que eram apenas comentários eventuais, se tornaram assuntos fixos. Eu só tinha um assunto, eu só queria falar sobre uma coisa.

            Hoje eu sou o amigo apaixonado...

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