Meus
amigos estavam apaixonados. Eu não. Meus amigos me falavam o tempo todo sobre a
pessoa por quem estavam apaixonados. Eu não tinha sobre quem falar... E assim
os anos iam seguindo, um a um, me fazendo se sentir cada vez mais vazia. Eu
também queria ter sobre quem falar, mesmo eu sabendo que das outras vezes não
tinha acabado bem.
Nada
mais parecia fazer sentido. Eu cantava as músicas sobre se apaixonar só por
gostar delas, mas não por me identificar. O “relacionamento” dos meus amigos começou
a dar errado, e então eu, por mais que ainda relutasse em querer se apaixonar,
me convenci de que não ter ninguém pra pensar ou pra se importar era o melhor
que tinha me acontecido... E era exatamente isso que me diziam “você tem sorte
por não gostar de ninguém”.
Porém,
quase que subitamente, eu comecei a me afeiçoar a aquele refrão, e o romance
bobinho já não me parecia assim tão bobo. Eu sorria pelos cantos e dançava no
meu quarto... Eu estava me apaixonando. Então certos cantores e bandas tocavam
cada vez mais nos meus dias, porque eles me faziam lembrar alguém em específico, enquanto outros eram deixados de lado.
Eu queria
esconder, mas era quase impossível segurar aquela vontade de contar como nossa
conversa tinha sido como as coisas estavam indo. Meus amigos, que antes eram os
que passavam horas detalhando cada acontecimento relacionado ao fulano,
passaram a serem os meus “psicólogos”, dizendo o que eles pensavam sobre...
Fazendo o que eu costumava fazer. Mas as coisas foram tomando proporções
catastróficas e o que eram apenas comentários eventuais, se tornaram assuntos
fixos. Eu só tinha um assunto, eu só queria falar sobre uma coisa.
Hoje eu sou o amigo apaixonado...
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